Fly

 

(fotografia de Mario Pedroni)

Às vezes dá vontade de rasgar o espaço. Fazer um rasgo bem no meio do nada, naquilo que separa os olhos da paisagem. E pular. Descobrir que outras formas de viver, que outros relacionamentos, quais outras verdades. Ir sem pensar na volta, viver uma realidade em outra relação de tempo. Saber como acontece a vida em outras imaginações.

Quais outros sentidos, outras emoções, diferentes cores e sons? Quais as formas, quais os seres, qual a linguagem, quais são o hálito e o extrato?

Quanto tempo desde a criação; a bolha precisa ser perfurada. A sujeira é tão densa e asquerosa, que poucos têm coragem de enxergar por através dela, e os que o fazem mudam para sempre a maneira de ser e agir. Outros simplesmente lutam para manter o equilíbrio sobre a corda que separa suas crenças do lodo. E é lá mesmo que moram todas as crenças, na película do sabão, onde a imundice já quase alcança. Para os que não acreditam alto o suficiente, os sonhos começam a perder a função de suas asas, carregadas com verde podre.

Quero outras estrelas, outras visões e outros objetivos. Essa crosta que envolve minha pele é tão difícil de tirar.
Fly [11:24 PM]

Comments: